ZONA DE CONFORTO

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Tarcísio Barbosa

Zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter que não lhe causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. É uma região onde ninguém se sente ameaçado. Simplificando: zona de conforto é um lugar onde nada floresce, nada acontece de bom nem de ruim. Uma espécie de limbo!Na minha ótica, sem muita filosofia, papo-cabeça, zona de conforto diz respeito àquela situação de tranquilidade em que o indivíduo não ambiciona nada. Arranjou um empreguinho safado, por exemplo, e está ali quietinho, sem nenhuma ambição, esperando a morte chegar. Ou seja, o indivíduo não tem vontade sair desta zona, se arriscar fora dela. Não sair da zona de conforto, principalmente na juventude, é praticamente renunciar à vida, ao progresso pessoal, é não enfrentar desafios, é correr da sensação de aventura. É permanecer no limbo. Zona de conforto é nosso vício mais perigoso. Life begins at the end of your comfort zone. A vida começa a fazer sentido depois que você põe fim à sua zona de conforto e vai à luta – tradução livre, ad sensum, por minha conta e risco. Na minha família, muitos irmãos saíram da zona de conforto para encarar desafios e correr em busca do progresso pessoal, de uma boa colocação no mercado de trabalho. Vamos lá! Terminei o agrotécnico em 64 e fui trabalhar na Extensão Rural em Santa Catarina por contingências da vida. Estava muito bem por lá – bom salário, muitos amigos – enfim, prestigiado. Em fins de outubro de 66, pedi demissão e vim pra Viçosa, de “mala e cuia”, fazer vestibular para Agronomia. E olha que eu tinha que passar no vestibular e ainda arranjar trabalho pra me sustentar no curso! Sucesso! Conquistei o décimo lugar no vestibular e fui lecionar português em São Miguel do Anta. Quatro irmãos começaram a vida lá pelos 12/13 anos trabalhando em gráfica – naquele tempo não havia o tal Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe menino de trabalhar. Trabalhavam de dia e estudavam à noite. Hoje são formados em Agronomia, Química, Letras e Medicina. Seus colegas de gráfica se aposentaram lá. Ou seja, não saíram da zona de conforto. Um irmão meu fez concurso para auxiliar de laboratório na UREMG, antiga UFV. Enquanto preparava material para aula prática, lavava vidros e limpava o chão, também se preparava para o vestibular de agronomia. Fez agronomia, mestrado e doutorado. Eu tenho horror à tal zona de conforto. Pra mim é o “fim da picada”. Depois que me aposentei, lá se vão 23 anos, ao invés de ficar nas praças fazendo uma acurada análise da vida alheia, jogando dama, ótima zona de conforto, fui à luta. Trabalhei com vendas de produtos alimentícios, produtos de higiene e limpeza, frios, lecionei em duas universidades particulares, dei cursos de gramática e redação. Atualmente trabalho com tradução, revisão de texto, e não tem faltado trabalho. E salve a internet! E a tal zona de conforto? Que fique pra quem quiser! Nem na velhice, que já está chegando, tenho 76 anos, quero usufruir da tal zona de conforto.

jtbarbosa500@yahoo.com.br

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