
Morreu na última terça-feira, 6, aos 70 anos, o cineasta húngaro Béla Tarr, considerado um dos maiores nomes do cinema do país, conforme anunciou o diretor Bence Fliegauf à agência MTI em nome da família.
“Lamentamos profundamente a perda de um diretor excepcional e uma personalidade com forte voz política, que não só era muito respeitado pelos seus colegas, como também era aclamado pelo público em todo o mundo. A família enlutada pede a compreensão da imprensa e do público e que não seja solicitada a fazer declarações nestes dias difíceis”, declarou a Academia Europeia de Cinema.
Entre os destaques da carreira está Sátántangó, de 1994, um filme de sete horas que retrata o colapso do comunismo na Europa Oriental e o declínio material e espiritual a partir da vida em um vilarejo em ruínas. A obra adapta o romance homônimo de 1985, do húngaro László Krasznahorkai, vencedor do Nobel de Literatura no ano passado, com quem Tarr manteve diversas colaborações.

Com planos-sequência longos, Tarr absorveu a complexidade do texto literário e a recriou na linguagem cinematográfica, consolidando-se como um mestre do enquadramento e daquilo que acontece entre dois cortes.
Depois de Sátántangó, Tarr adaptou o romance The Melancholy of Resistance em A Harmonia Werckmeister, de 2000, e em 2007 transformou um romance de Georges Simenon em O Homem de Londres. Com Tilda Swinton no elenco, o filme acompanha um controlador de estação que presencia um assassinato e, sem querer, se depara com uma mala de dinheiro, assustando o criminoso.
A última parceria com Krasznahorkai ocorreu em O Cavalo de Turim, de 2011, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Berlim. Tarr anunciou o filme como sua aposentadoria, retratando um homem que vive isolado com a filha, aguardando algo que parece nunca chegar, quase sem contato com o mundo exterior.
Apesar disso, considerado um dos maiores cineastas das últimas quatro décadas e reverenciado por nomes como Gus Van Sant e Susan Sontag, Tarr continuou produzindo curtas e longas de outros diretores e realizou a videoinstalação Missing People, apresentada em 2019 na Berlinale.
















