Nada de novo na Transilvânia

Texto de Barbara Câmara, jornalista e entusiasta de filmes de terror
Como se percebe, o que mantém a obra em pé, na medida do possível, é o impacto visual / Foto: Divulgação

A mais recente adaptação cinematográfica de “Drácula” foi anunciada em 2025. Sim, há mais uma versão da obra de Bram Stoker, dessa vez dirigida pelo francês Luc Besson. O filme teve divulgação mínima no Brasil e passou poucas semanas em cartaz em salas selecionadas. Mesmo sendo fã de longa data do gênero, o primeiro pensamento que me ocorreu ao ver o cartaz foi: “por quê?”

Já se perderam as contas de quantas vezes a história do vampiro-conde-imortal apaixonado foi levada ao cinema. A versão mais memorável, sem dúvidas, continua sendo a de Francis Ford Coppola em 1992. O longa faz tudo o que se podia esperar: mistura terror, romance, suspense e fantasia numa apoteose gótica. Portanto, o que ‘Drácula: Uma História de Amor Eterno’ tem a oferecer de novo 33 anos depois?

A resposta, lamentavelmente, é nada. O filme se propõe a retratar uma narrativa mais centrada na paixão intensa entre os protagonistas – o Conde Drácula, vivido por Caleb Landry Jones, e Mina Murray, interpretada por Zoë Bleu – mas escorrega com força em um roteiro mal costurado, apoiado em texto pobre e uma montagem incoerente. À imprensa, o diretor revelou que sua intenção era criar um romance trágico, mas admitiu “não ser fã de filmes de terror ou do conto de Drácula” em particular. E deu pra notar.

As atuações até funcionam, mas não de maneira linear. A emoção ora está lá, ora não, e há pouco que os atores possam fazer diante de um texto inconsistente, que tenta inserir humor e falha, perdendo-se em momentos inoportunos. Um dos maiores exemplos de desperdício no elenco é a presença de Christoph Waltz, que interpreta um padre adjacente à figura de Abraham Van Helsing na obra original. Duas vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (por ‘Bastardos Inglórios’ e ‘Django Livre’), aqui Waltz permanece apagado, sem uma cena marcante sequer.

O filme ensaia uma tentativa de inovação ao incluir elementos não vistos até então em adaptações de “Drácula”: pequenas gárgulas que ganham vida e desempenham o papel de servos do vampiro, e sequências de dança. Os dois recursos podem ser bem-recebidos em termos de entretenimento, mas deixam a desejar no que diz respeito à coerência e qualidade da execução.

O que sustenta a obra, na medida do possível, é o visual. A cinematografia de Colin Wandersman cumpre sua proposta e faz um belo uso das cores, contrastando paisagem e figurino de uma maneira que impressiona. O design de produção também excelente teria sido o pano de fundo perfeito para um roteiro mais robusto. Talvez ‘Drácula: Uma História de Amor Eterno’ funcione melhor como um lindo afresco do que como adaptação de Bram Stoker.

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