
O diretor espanhol Oliver Laxe, cujo longa Sirât disputa a categoria de melhor filme internacional no Oscar deste ano, reagiu com ironia ao saber que o brasileiro O Agente Secreto também está na corrida. Em tom ácido, o cineasta fez uma crítica à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pela premiação.
“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”, disse Laxe em entrevista ao apresentador espanhol David Broncano.
Os dados, no entanto, contradizem a declaração. Dos cerca de 10.900 membros da Academia, aproximadamente 9.900 estão aptos a votar no Oscar. Entre eles, estima-se que apenas cerca de 70 sejam brasileiros, menos de 0,7% do total de votantes.

Os integrantes da Academia são profissionais da indústria cinematográfica, como atores, diretores, roteiristas e produtores. A filiação não ocorre por inscrição direta, mas por indicação: os candidatos precisam ser recomendados por dois membros da área à qual desejam se vincular, passando ainda pela avaliação de um comitê interno. Já os indicados ao Oscar entram automaticamente no radar da instituição.
Entre os brasileiros com direito a voto estão as atrizes Fernanda Torres, Sônia Braga, Alice Braga e Maeve Jinkings; os atores Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Selton Mello; além de diretores como Anna Muylaert, Walter Salles, Fernando Meirelles e Kleber Mendonça Filho, diretor de O Agente Secreto.
Após a declaração de Oliver Laxe, brasileiros invadiram o perfil de Sirât no Instagram e responderam à provocação com bom humor. Emojis de sapatos e gifs divertidos tomaram conta dos comentários, acompanhados de mensagens como “aqui não, queridinho”, “deixa de ser invejoso” e “passando para deixar minha sapatada”.















