
“Na dúvida, todos esses livros são uma porcaria”. A lógica perversa desses e-books na Amazon não cansa de me surpreender. Certo dia, enquanto conversava com minha esposa – a musa – sobre amenidades, ela me mostrou a maravilhosa obra “Seduzida pelo meu chuveiro senciente”. Sim, é isso mesmo que você leu, caro leitor, uma inteligência artificial em formato de chuveiro, chamada Adão, seduz uma mulher, que não se chama Eva. Por essa, nem a serpente esperava, quiçá você e eu. O banho que já vem com um assédio, é o bônus literário atual.
Falei: “Sério? Mas isso não é apenas um exemplo bem tosco?”.
Ela riu, pois sabia que o melhor havia ficado para o final. Eis então que puxa da manga a cartada final, aquela que me deixaria sem chão: ela me mostrou outro espécime desse zoológico que são os ebooks na Amazon, com o famigerado título: “Três minutos de prazer: um romance com um macarrão instantâneo mágico sabor carbonara“. É, alto lar, amigos, carbonara? O que há de éros no carbonara? Será seu bacon? Seu molho? Imaginou uma pessoa fazendo o molho e, de repente, começa a passar todo o líquido viscoso pelo rosto e, aos gritos, falando: “Sim, é a você que quero. Possua-me!”. Peço perdão por essa escatologia, mas foi assim que imaginei.

O macarrão é mágico; ele seduz e ainda delicia; parabéns, amigo, passe ali na fila para receber sua condecoração de homem mais sexy do ano.
Porém, o que me deixou mais surpreendido com essa obra de incomum importância para nosso cânone literário, foi saber que, ao demorar 13 minutos, um miojo ficou mais aceso do que a média dos homens brasileiros, que duram 10. “Ora, ora, me parece que o miojo sabe o caminho das pedras”, dizem aqueles que ficam com inveja de sua performance. Eu, na verdade, invejo a capacidade de quem imaginou e desenvolveu algo tão inventivo, que de extraordinário, acaba por nos deixar sem chão. É uma capacidade usada para o mal, não há dúvidas.
No fim, não houve saída, minha esposa passou o resto do dia triste e sentindo-se desprestigiada diante desses livros, com l minúsculo, mas que atraem tantos leitores, ou tantos passadores de páginas, até porque, passar as páginas (?) também conta como leitura nos dias normais que vivemos.
















