
Talvez este seja um dos filmes indicados a Melhor Filme no Oscar 2026 que mais tem passado despercebido pelo público. Exceto pelo fato de estar disponível na Netflix e de ter o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso em destaque nesta temporada de premiações, o que naturalmente desperta torcida e comemoração do público brasileiro. Fora isso, o longa de Clint Bentley parece forçar demais uma estética contemplativa, frequentemente comparada ao estilo de Terrence Malick, mas sem o mesmo primor.
Dentro dessa proposta mais contemplativa, a história acompanha Robert Greiner (Joel Edgerton), um simples lenhador que passa longos períodos longe da família para trabalhar na construção das ferrovias que simbolizam o crescimento econômico dos Estados Unidos. Enquanto isso, um narrador, na voz de Will Patton, relata sua trajetória em meio a um país que atravessa grandes transformações. Nesse percurso, os coadjuvantes, como Felicity Jones e William H. Macy, entregam boas interpretações a personagens que desaparecem cedo demais da narrativa e acabam se tornando mais interessantes que o próprio protagonista.
A partir dessa trajetória, o roteiro parece querer exaltar a essência desse homem do interior que ajudou a construir a “América” e que seria mais puro por não ter sido corrompido pelos males da modernidade e da tecnologia. A abordagem pode soar como uma celebração dos “bons e velhos tempos”, ao valorizar a simplicidade da vida no campo. O filme até tenta apresentar uma crítica breve ao mostrar o preconceito contra imigrantes asiáticos, mas o tema surge rapidamente em uma cena específica, funcionando mais como elemento dramático para aumentar o sofrimento do protagonista.

Se a narrativa nem sempre sustenta esse peso simbólico, o mesmo não pode ser dito do aspecto técnico. É inevitável destacar a beleza visual da obra, que merecidamente rendeu indicações a Melhor Fotografia e Melhor Canção Original (“Train Dreams”, de Nick Cave). As paisagens deslumbrantes são ainda mais intensificadas pela serena trilha sonora, que acompanha bem o percurso emocional da narrativa, da calma inicial ao sofrimento, passando pela melancolia até chegar ao desfecho mais terno.
Ainda assim, mesmo com apenas 100 minutos de duração, o longa apresenta um ritmo lento que pode parecer enfadonho para alguns espectadores. No fim, acaba representando aquilo que muitos associam a um filme cult: visualmente bonito e apenas isso.


















