
O cineasta, escritor e jornalista baiano Orlando Senna morreu na terça-feira (9), aos 87 anos. A informação foi confirmada por sua sobrinha. A causa da morte não foi divulgada.
Em uma publicação nas redes sociais, ela homenageou o tio e destacou sua trajetória dedicada à arte, à cultura e à formação de novas gerações. “Quem teve a oportunidade de conhecê-lo sabe da sua doçura, do seu humor, da sua inventividade e da forma positiva com que enxergava a vida e as pessoas”, escreveu.
Referência do cinema brasileiro, Senna codirigiu, ao lado de Jorge Bodanzky, o clássico Iracema – Uma Transa Amazônica (1975), uma das obras mais importantes da filmografia nacional.

Nascido em abril de 1940, no distrito de Afrânio Peixoto, na Bahia, iniciou sua trajetória artística ainda jovem, trabalhando como assistente de direção de Roberto Pires em Tocaia no Asfalto (1962). Em Salvador, atuou como crítico de cinema, diretor de teatro e integrante da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e do Centro Popular de Cultura.
Na capital baiana, dirigiu documentários como Lenda Africana e 2 de Julho. No fim da década de 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde consolidou sua carreira e assinou obras marcantes como Iracema (1975), Gitirana (1976) e Diamante Bruto (1977). Também colaborou em roteiros de filmes dirigidos por Hector Babenco e Ruy Guerra.
Entre 2003 e 2007, ocupou o cargo de secretário do Audiovisual durante a gestão do então ministro da Cultura Gilberto Gil. Em seguida, participou da criação da Empresa Brasil de Comunicação e da TV Brasil, atuando como diretor-geral da instituição.
Além da produção cinematográfica, teve papel decisivo na formação de profissionais do audiovisual na América Latina. Foi um dos fundadores da Escola Internacional de Cinema e Televisão, em Cuba, e também lecionou no Centro de Capacitação Cinematográfica do México.
De 2008 a 2015, presidiu a rede Televisão América Latina, dedicada à integração de emissoras públicas e culturais do continente. Em reconhecimento à sua contribuição para o setor audiovisual, o Ministério da Cultura lançou, em 2024, uma premiação de curtas-metragens que leva seu nome.
Orlando Senna foi casado com a atriz e documentarista Conceição Senna, falecida em 2020. No último domingo, participou de uma sessão de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, onde foi fotografado ao lado do amigo e ator Antonio Pitanga.

















