Toy Story 5 é a despedida de uma história que já parecia encerrada

Quando parecia que não havia mais nada a dizer, a franquia encontra um novo motivo para existir
Jessie assume o protagonismo do filme / Foto: Divulgação

A história dos brinquedos que ganham vida dispensa apresentações. Desde o seu lançamento em 1995 como o primeiro longa totalmente animado por computador, Toy Story apresenta, em cada novo filme, um olhar sobre o crescimento, até que, enfim, no 3, encaramos a inevitável despedida. Entretanto, a sua sequência dividiu o público. Seria necessário mais um filme?

Por isso mesmo, o quinto filme da franquia vinha cercado de ceticismo. Afinal, quantas despedidas são necessárias até a emoção dar lugar ao previsível? A surpresa é que o novo trabalho não encontra apenas razões para existir, mas resgata um sentimento que parecia perdido na trama: a descoberta.

A nova aventura coloca os brinquedos em embate com as novas tecnologias. Os brinquedos agora dão lugar às telas e, sem abandonar os temas clássicos da série, como a amizade e pertencimento, o roteiro equilibra nostalgia e renovação, revisitando figuras já conhecidas pelo público, mas também trazendo novos personagens. Em destaque para um grupo cheio de carisma: “a” tablet Lilypad, o Amigo Rolinho, a Clica e o Atlas. Eles não chegam apenas para arrancar algumas risadas ou vender produtos licenciados no futuro. Cada um desempenha uma função narrativa clara, contribuindo para expandir a história, sem parecer estranho ao universo.

Mas a maior surpresa é a vaqueira Jessie. Desde a sua introdução, a boneca é uma das personagens mais queridas pelo público, embora raramente tenha sido o centro da narrativa. Agora, finalmente com o espaço que merece, o longa explora seus desejos, inseguranças e conflitos que estavam presentes desde o começo da sua trajetória, mas que nunca foram explorados com profundidade. O resultado é um arco emocionante e delicado. Os seus momentos de vulnerabilidade geram as melhores cenas do filme. É refrescante ver uma outra personagem assumir o protagonismo e, se eu pudesse definir Toy Story 5 em uma palavra, seria maturidade. Por isso o desfecho funciona tão bem aqui.

Sim, existe uma afirmativa inevitável. Talvez essa história já devesse ter acabado antes. E provavelmente muitos espectadores irão para as salas de cinema com essa ideia na cabeça. O Toy Story 4 é frequentemente lido como dispensável à franquia. Toy Story 5, por outro lado, encontra algo novo a dizer. O filme tem ar de novidade, expande o universo sem parecer forçado demais e oferece uma sensação de encerramento serena (mais uma vez).

Dito isso, é impossível ignorar a música de Taylor Swift no filme. Mais do que uma pura manobra de marketing, a canção se encaixa perfeitamente dentro da história e reforça o impacto emocional. Uma campanha para as grandes premiações se constrói praticamente sozinha. Uma das maiores cantoras e compositoras do momento com uma das maiores franquias de animação da história. Mas reduzir a música a uma estratégia de mercado parece injusto. Taylor capta exatamente o que Toy Story 5 quer comunicar com um storytelling que só ela é capaz de entregar atualmente entre as grandes artistas do pop.

Então a pergunta permanece. Toy Story 5 realmente precisava existir? Provavelmente não, mas a surpresa é que funciona. O filme se justifica sem se prender à nostalgia e oferece uma última conversa com esses personagens que marcaram tantas pessoas. Seria uma despedida definitiva? Cabe a grandes executivos. Mas, por enquanto, nos é oferecido o tom certo para dizer adeus.

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