
Depois de um 2025 marcado pelo sucesso dos premiados Pecadores e A Hora do Mal, 2026 dá sinais de que o terror continuará vivendo um de seus melhores momentos recentes. Mal chegamos ao meio do ano e duas estreias do gênero, Obsessão e Backrooms: Um Não-Lugar, já arrecadaram mais de 437,9 milhões de dólares em bilheterias ao redor do mundo.
As coincidências entre os dois filmes vão além do sucesso comercial. Ambos são produções independentes dirigidas por cineastas que começaram suas carreiras no YouTube por meio de curtas-metragens. Antes mesmo dos 30 anos, Curry Barker (Obsessão) e Kane Parsons (Backrooms) já quebraram expectativas de público e faturamento. No Brasil, os dois longas seguem em cartaz, ainda sem previsão de estreia nas plataformas de streaming. Entre eles, é Obsessão que merece um olhar mais atento.
O filme acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem frustrado pela paixão não correspondida por sua amiga Nikki (Inde Navarrette). Desesperado, ele recorre a um objeto místico conhecido como Salgueiro do Desejo para fazer com que ela se apaixone por ele. O desejo é atendido. O problema é que Nikki já não é mais a mesma.

Obsessão comprova que um bom roteiro continua sendo o principal efeito especial do cinema. O orçamento da produção foi modesto até mesmo para os padrões do terror, girando em torno de 750 mil dólares, e as filmagens duraram apenas 20 dias. Ainda assim, Barker constrói uma narrativa segura, que desenvolve a tensão gradualmente e se apoia em personagens bem escritos e atuações consistentes.
Johnston entrega exatamente o que a história exige: um protagonista sensível, inseguro e tão passivo que chega a irritar. Incapaz de lidar honestamente com os próprios sentimentos, Bear transforma para sempre a vida da amiga sem seu consentimento e passa a enfrentar as consequências de sua escolha. Já Inde Navarrette aproveita cada minuto de seu primeiro grande papel no cinema. Nikki transita com naturalidade entre a delicadeza, a fúria e o desespero, fazendo de Bear, e também do espectador, reféns de sua presença em cena.
Embora Curry Barker tenha percorrido um longo caminho desde seus primeiros vídeos no YouTube, sua direção preserva características que já apareciam em trabalhos como o curta The Chair (2023). Seus planos permanecem alguns segundos além do esperado, enquanto corredores vazios, cantos escuros ou personagens fora do centro da imagem alimentam uma inquietação constante. Aos poucos, a expectativa se transforma em claustrofobia. A sensação é de que algo terrível está prestes a acontecer – só não se sabe exatamente quando.
Obsessão consegue ser simples, visceral, divertido e assustador ao mesmo tempo. As influências de Corra! (2017) e Pearl (2022) são evidentes, mas nunca limitam a identidade do filme. Pelo contrário: Barker demonstra personalidade suficiente para transformar suas referências em algo próprio. Num momento em que tantas franquias sobrevivem da repetição, Obsessão lembra que o verdadeiro fôlego do terror continua nas ideias originais e, acima de tudo, nos roteiros bem escritos.














