
Poucos filmes entenderam tão cedo que o cinema de terror poderia ser mais engraçado quando deixasse de se levar a sério quanto Corpo Estudantil. Lançado em 1981, quando o slasher já havia se transformado em uma das grandes febres de Hollywood, o longa de Mickey Rose e Michael Ritchie encontrou uma maneira particularmente inteligente de olhar para o gênero: em vez de repetir suas fórmulas, resolveu rir delas.
O momento não poderia ser mais apropriado. Depois que Halloween, O Massacre da Serra Elétrica e outros títulos ajudaram a definir o slasher, a década de 1980 testemunhou uma verdadeira enxurrada de assassinos mascarados, adolescentes perseguidos e mortes cada vez mais previsíveis. Sexta-Feira 13 ajudou a consolidar esse modelo e, com o sucesso, vieram inúmeras produções interessadas menos em renovar a fórmula do que em copiá-la. Corpo Estudantil percebeu o esgotamento antes de muita gente e transformou a própria repetição do gênero em matéria-prima para a comédia.
A premissa já entrega a brincadeira. Um assassino começa a perseguir estudantes enquanto uma série de personagens se comporta exatamente como se espera de uma produção do gênero. Só que, aqui, essas situações são levadas ao limite do absurdo. O filme brinca com a obsessão dos slashers por sexo, com a ingenuidade das vítimas, com a figura da sobrevivente e com a lógica conveniente que costuma conduzir esses personagens diretamente para o perigo. Não há interesse em esconder os clichês. A graça está justamente em expô-los.

E Corpo Estudantil não se limita a fazer uma coleção de piadas. Sua sátira é construída com criatividade. A narrativa quebra constantemente a ilusão cinematográfica, utiliza letreiros, conversa diretamente com o público e incorpora comentários sociais e políticos que dão ao humor uma dimensão maior. Existe uma leitura sobre a própria indústria e sobre a transformação do terror em um produto cada vez mais previsível. Até o giallo italiano, uma das influências fundamentais do slasher, entra nessa mistura de referências.
Por isso, o filme é mais importante do que sua condição de comédia esquecida pode sugerir. Corpo Estudantil está entre os precursores de um modelo de paródia que se tornaria extremamente popular décadas depois. É difícil assistir ao longa sem pensar em Todo Mundo em Pânico, lançado quase 20 anos depois. A franquia se tornou um fenômeno comercial e popularizou esse tipo de humor para uma nova geração, mas Corpo Estudantil já havia descoberto boa parte desse caminho quando o gênero ainda estava vivendo seu auge.
A comparação com Pânico, de Wes Craven, também é inevitável, embora os objetivos sejam diferentes. Craven transformaria a autoconsciência do slasher em instrumento de suspense e terror. Corpo Estudantil, por outro lado, simplesmente prefere debochar de tudo. Seu compromisso é com o absurdo, com a quebra de expectativas e com a vontade de desmontar as engrenagens de um gênero que já começava a funcionar no piloto automático.
É uma pena que tenha ficado tão distante do reconhecimento alcançado por outras paródias. Se Todo Mundo em Pânico acabou se tornando a referência popular quando se fala em satirizar filmes de terror, Corpo Estudantil deveria ser lembrado como um de seus antecessores mais importantes. Criativo, político, irreverente e consciente daquilo que está satirizando, o filme não apenas tira sarro do slasher: ele registra, com humor, o momento em que um gênero que havia conquistado o público começava a rir de si próprio.















