
Digger, novo filme de Alejandro González Iñárritu estrelado por Tom Cruise, teve uma estreia muito abaixo das expectativas nos Estados Unidos. O longa abriu apenas na quinta posição do ranking e arrecadou cerca de US$ 8 milhões (R$ 42 milhões) em 3.321 salas. A cifra ainda pode ser revisada para US$ 7,5 milhões após a consolidação dos dados. A previsão da Warner Bros. era de uma abertura doméstica entre US$ 18 milhões e US$ 20 milhões.
Fora dos Estados Unidos, o desempenho também ficou aquém do esperado. Exibido em 73 países, Digger somou US$ 12 milhões no mercado internacional e chegou a aproximadamente US$ 20 milhões em bilheteria mundial. O resultado ganha ainda mais peso diante do custo elevado da produção, estimado entre US$ 160 milhões e US$ 180 milhões.
Para que o investimento tivesse um retorno mais favorável, o filme precisaria ter alcançado uma estreia doméstica próxima dos US$ 40 milhões. Com a inclusão das despesas de divulgação e distribuição, as estimativas apontam que a produção precisaria atingir algo entre US$ 300 milhões e US$ 350 milhões globalmente para chegar ao ponto de equilíbrio.

Apesar da resposta comercial, Iñárritu não demonstra arrependimento em relação ao filme. Em entrevista à Vulture, o diretor defendeu a capacidade do cinema de provocar reações e iniciar discussões. Para ele, a intenção sempre foi fazer uma obra capaz de dizer alguma coisa ao público por um caminho diferente, ainda que isso resulte em uma recepção polarizada. Diante das críticas e das reações intensas ao longa, o cineasta afirma preferir esse tipo de resposta a uma recepção morna.
Iñárritu também relacionou a reação ao filme ao ambiente cultural atual, marcado, segundo ele, pela busca constante por atenção e engajamento. O diretor reconheceu que Digger está longe de ser perfeito, mas considera justamente a capacidade de provocar incômodo parte importante de sua proposta. Em um cenário no qual produções são cada vez mais pensadas para agradar ao maior número possível de pessoas, o cineasta parece aceitar o risco de dividir opiniões.
Quem dominou o fim de semana nos Estados Unidos foi Verity, adaptação do romance de Colleen Hoover com Anne Hathaway e Dakota Johnson. O longa arrecadou US$ 32,6 milhões no mercado doméstico e outros US$ 30 milhões internacionalmente, chegando a US$ 62,5 milhões no mundo. Mesmo com apenas 34% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, o filme teve um orçamento estimado em US$ 40 milhões e apresenta uma perspectiva comercial consideravelmente mais favorável para a Amazon MGM.
Resident Evil e Coração Selvagem também ficaram à frente de Digger no ranking. Para Tom Cruise e Iñárritu, portanto, a estreia representa um revés significativo, sobretudo considerando a dimensão do projeto e o peso dos nomes envolvidos.
O resultado ainda aumenta a pressão sobre a Warner Bros., que vem enfrentando uma sequência de desempenhos abaixo do esperado em 2026, incluindo A Noiva e Supergirl. Até agora, nenhum lançamento do estúdio ultrapassou a marca de US$ 100 milhões no mercado doméstico neste ano. O momento é especialmente delicado porque ocorre às vésperas da conclusão da aquisição da Warner Bros. pela Paramount, prevista para esta semana.
Iñárritu, por sua vez, parece confortável com a possibilidade de o filme não funcionar para todos. O diretor reconhece que parte do público prefere narrativas mais convencionais e enfatiza que isso também é legítimo. Para ele, a reação negativa não chega a ser uma surpresa: Digger foi concebido justamente como uma experiência menos confortável e mais provocativa. No fim, parece aceitar que, para uma obra como essa, dividir opiniões é parte do próprio jogo.




















