
A revista americana Variety publicou, na quarta-feira (7), uma reportagem sobre os possíveis impactos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro para o cinema brasileiro. O texto sustenta que uma mudança no comando do governo federal poderia colocar em risco o ciclo recente de projeção internacional vivido pela produção nacional.
Segundo a publicação, o crescimento da indústria brasileira no cenário mundial, impulsionado por filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, ocorreu em um período marcado pela retomada dos investimentos públicos no setor durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reportagem cita R$ 1,6 bilhão em recursos destinados à indústria cinematográfica.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, e disputará o segundo turno. A Variety avalia que uma eventual vitória do candidato do PL poderia representar uma mudança na política de financiamento do setor, especialmente diante da possibilidade de adoção de medidas semelhantes às implementadas durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os exemplos citados pela publicação está a redução de 43% nos recursos destinados ao Fundo Setorial do Audiovisual, administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2019. A reportagem relaciona a medida ao período de dificuldades enfrentado pelo setor durante o governo Bolsonaro.
Uma das entrevistadas pela revista é Paula Cosenza, sócia da produtora Trema, fundada em parceria com o diretor Gabriel Mascaro, de O Último Azul. Segundo Cosenza, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia representar uma “catástrofe” para o cinema brasileiro.
A reportagem também registra o ambiente político encontrado durante o Festival do Rio. De acordo com a Variety, a maioria das pessoas presentes no evento demonstrava apoio à candidatura de Lula, em meio à preocupação de profissionais do setor com os rumos da política cultural e do financiamento audiovisual no país.




















